A Criação – Criação do Mundo e dos Anjos
Por que Deus terá criado o mundo? A resposta é simples: Deus, por definição, não pode ser motivado por alguma criatura, mas Deus criou por causa do próprio Deus. Como nos diz a filosofia grega, “o Bem é difusivo de Si”.
Foto: NASA, UnsplashNeste artigo
Motivo e Finalidade da Criação #
Por que Deus terá criado o mundo? A resposta é simples: Deus, por definição, não pode ser motivado por alguma criatura, mas Deus criou por causa do próprio Deus. Como nos diz a filosofia grega, “o Bem é difusivo de Si”. Ora, como Deus é o Sumo Bem, Ele é sumamente difusivo de Si. E Deus, comunicando às criaturas as suas perfeições, revela a sua grandeza e santidade.
Disto se segue que a finalidade de cada criatura é ser uma manifestação da perfeição ou do amor de Deus; cada criatura se realiza na medida em que ela desenvolve em si as potencialidades positivas que Deus nela depositou embrionariamente. Há uma escala entre as criaturas: os minerais foram feitos para os vegetais; estes foram feitos para os animais irracionais; estes, ainda, para o homem, que é o microcosmo ao qual foi confiado o macrocosmo para que termine a obra do Criador, utilizando inteligentemente cada criatura para a glória de Deus, no exercício de um sacerdócio universal.
Conservação e Providência#
Uma das consequências imediatas da criação do mundo e do homem é a permanente conservação de ambos por parte de Deus, ou seja, depois de haver dado existência a cada criatura, Deus exerce sobre ela um influxo direto positivo, que sustenta essa criatura e sem o qual ela recairia no nada. Outra consequência da criação é a Providência Divina, que é a ação pela qual Deus se dispõe a levar todas as criaturas para o seu fim devido; Deus não abandona a criatura depois de ter lhe dado a existência, mas provê aos meios para que possa atingir a sua meta, que é a manifestação da bondade, da sabedoria e da santidade de Deus.
Em sequência à conservação e à Providência Divina, temos a oração. A vontade de Deus é imutável e nenhuma oração é capaz de mudar isso. Para que, então, serve a oração? A oração não faz com que Deus se rebaixe ao nível das finitas cogitações humanas, mas faz com que Deus leve o homem ao plano da sua sábia Providência.
Desta forma, nenhuma oração é inútil se realizada em união com Cristo, que dizia:
Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice. Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres.Marcos 14, 36
O concurso divino segue logo após a oração e se anuncia assim: Deus não somente conserva as criaturas na sua existência, mas também lhes dá o auxílio (concurso) necessário para que possam agir. Nenhum agir, como realidade nova, contingente, transitória pode perdurar sem o sustento de Deus.
Os Modos da Presença Divina #
O fato de que Deus sustenta cada criatura na sua existência e na sua atividade, permite-nos falar da presença de Deus, que se dá de dois modos:
1) a presença na imensidade: Deus sustenta toda criatura e está sempre presente naquilo que ela tem de mais íntimo; Deus toca nas raízes do ser de cada criatura. Ele penetra e contempla cada criatura em sua profundidade sem se identificar com qualquer uma delas;
2) a presença da graça: existe uma ordem sobrenatural, além da natural (que é a constituição da estrutura nativa de cada criatura). Esta se deve ao fato de que Deus chama o homem a participar do consórcio da sua vida divina. A isso chamamos de graça santificante, que é um dom de Deus que embeleza e transforma a criatura intelectiva, levando-a ao conhecimento e ao amor do próprio Deus.
Os Anjos#
Deus criou o mundo visível e invisível. Este compreende as criaturas espirituais: os anjos e as almas humanas. Os anjos, enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade; são criaturas pessoais e imortais. Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. No Antigo Testamento, os anjos eram identificados como mensageiros do Senhor, muitas vezes confundidos com o próprio Deus. Com o passar dos tempos, esses enviados do Senhor foram sendo nitidamente distinguidos de Deus. Eles eram enviados para uma missão de preparação e serviço, com todo poder e força concedidos por Deus.
Mais tarde ainda, no livro de Jó, aparece a figura do anjo mau, adversário dos homens. Aqui não falamos de demônio, pois ainda se trata de um cortesão a serviço de Deus. Os livros sagrados de origem grega, como o livro da Sabedoria, introduzem mais nitidamente a figura do Maligno, aludindo a serpente do paraíso como Satanás. No Novo Testamento, a presença dos anjos é mais latente, e fazem as vezes dos cortesãos celestes e arautos do Reino de Deus trazido à terra por Jesus.
Os anjos aparecem, ora anunciando uma obra de Deus, ora operando junto aos homens, ora citados pelo próprio Cristo, que nomeia, inclusive, Satanás e seus comensais. E sempre fica clara a mensagem de que o demônio só age com autorização de Deus. Resumindo: a presença e a atividade dos anjos bons e maus estão a tal ponto inseridas na História da Salvação que não se poderiam eliminar tais elementos sem desmantelar a mensagem bíblica.
Os Demônios#
Os anjos maus são criaturas que Deus fez boas (Deus não pode fazer nada intrinsecamente mau), mas que abusaram do seu livre arbítrio e se afastaram de Deus pelo pecado da soberba, ao serem submetidos a uma prova: Deus revelou aos anjos a encarnação do Filho e os anjos teriam que adorar Deus feito homem.
Uma parte se rebelou e perdeu a presença de Deus, sendo precipitados na escuridão eterna. Estes têm autorização de Deus para agir contra o homem para que ele se purifique e fortaleça suas virtudes, mas “são com cães acorrentados que podem ladrar espantosamente, mas não podem morder senão a quem se aproximar deles” (Santo Agostinho).
E São Paulo ainda nos diz:
Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela.1Coríntios 10, 13
Cabe ressaltar que nem toda tentação vem dos anjos maus, algumas vêm da concupiscência do homem.
Os coros dos Anjos#
Há nove Coros Angélicos, que se dividem em três hierarquias.
1ª Hierarquia: Serafins (são a imagem mais perfeita do amor de Deus), Querubins (refletem a Sabedoria Divina) e Tronos (compreendem os juízos de Deus e se caracterizam pela submissão e paz). A atividade dessa hierarquia é a contemplação de Deus pelo amor, pelo conhecimento e pela aceitação da sua vontade.
2ª Hierarquia: Dominações (ocupam-se com o governo dos próprios anjos), Virtudes (executam as ordens das dominações no que diz respeito aos elementos da natureza material) e Potestades (dedicam-se à luta contra os maus espíritos).
3ª Hierarquia: Principados (dirigem as sortes das nações), Arcanjos (comunicam as notícias importantes aos homens e protegem de forma especial as pessoas que desempenham funções relevantes para a glória de Deus) e Anjos (destinados à guarda dos homens).
Os anjos são ministros de Deus encarregados da salvação dos homens, como nos diz a Sagrada Escritura:
Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?Hebreus 1, 14
Exercitando
A Equipe de Formação preparou ainda um flash quiz, um quiz de cinco perguntas, com o objetivo de exercitar o conteúdo que foi ensinado aqui. E aí, você topa? Acesse o Flash Quiz: Criação do Mundo e os Anjos.
Da criação do mundo aos coros angélicos, há mistérios que pedem para ser meditados em voz alta. Escute o podcast do Ora et Labora, sobre a finalidade da Criação e o Sumo Bem que difunde a Si mesmo.
Missão Tenda do Senhor
Comunidade católica de evangelização fundada em 11 de julho de 2000, dia de São Bento, sob a espiritualidade beneditina do ora et labora.
Ver todos os textos de Missão Tenda do SenhorSobre a MissãoAinda tá com aquilo na cabeça?

Educar é dar tempo: família e atenção num mundo disperso
Educar é, antes de tudo, dar tempo e atenção. Num mundo disperso e de famílias em crise, o que a sabedoria beneditina ensina sobre formar de verdade.
Continue a leituraTextos relacionados
Foto: Medalha de São Bento, século XIX, Musée Carnavalet (Paris Musées). Wikimedia Commons (CC0)A história da Medalha de São Bento: um manuscrito, um processo e dois papas
Foto: Ivan Aleksic, UnsplashA educação beneditina: a "escola do serviço do Senhor"
Foto: Nicolas Arnold, Unsplash