A arte que se recusa a te emocionar
De um lado, o Beijo de Judas da Scala Santa, que atravessa quem olha. Do outro, a arte que Peter Lenz projetou para falar à razão, sem sequestro emocional.
Foto: PixabayHá imagens que atravessam quem olha. O Beijo de Judas da Scala Santa é uma delas: o drama, a luz, os rostos, tudo convoca o coração de quem sobe. O Barroco domina essa arte como ninguém; ele quer a lágrima e sabe consegui-la.
O projeto de Peter Lenz
A arte beuronense nasceu de uma recusa deliberada a esse caminho. Peter Lenz, o projetista da escola de Beuron, queria uma arte que não fizesse "sequestro emocional": que não capturasse o espectador pelos sentimentos, e sim falasse direto à razão. Daí a frontalidade, a simetria, a linha calma no lugar do gesto teatral, como mostramos ao explicar as marcas da pintura beuronense. Diante de uma obra assim, ninguém chora; entende-se.
A pergunta que fica
E aqui está a pergunta boa que a conversa do podcast levantou: uma imagem que te faz chorar é necessariamente mais santa do que uma que te faz entender? A tradição da Igreja conhece e acolhe os dois caminhos. A emoção pode abrir a porta da alma; também pode parar nela, confundindo comoção com conversão. A razão iluminada pela fé parece fria; mas o que ela acende costuma durar mais que a lágrima.
Ninguém precisa escolher um lado para sempre; basta saber diante do que está. O Barroco reza comovendo; Beuron reza ordenando. A Igreja, mãe dos dois, sabe que há almas e horas para cada um.
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Este texto nasceu de uma conversa do nosso podcast Ora et Labora. Assista ao episódio que inspirou estas reflexões.
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Comunidade católica de evangelização fundada em 11 de julho de 2000, dia de São Bento, sob a espiritualidade beneditina do ora et labora.
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