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Os quatro temperamentos · Água · Frio e úmido

Temperamento Fleumático

Calmo e conciliador, corre o risco de ficar morno.

Lago de águas calmas e azuladas sob névoa, com um pequeno barco ao longeFoto: Aleksandr Eremin, Unsplash

O fleumático é calmo, equilibrado, paciente. Não se altera facilmente, raciocina com clareza, sustenta hábitos por muito tempo. Como a água serena, acomoda-se, contorna obstáculos sem violência e mantém um nível constante. É o temperamento mais estável e conciliador, base de boas comunidades e famílias serenas. Sustenta com paz aquilo que o sanguíneo larga, o colérico atropela e o melancólico sofre em silêncio. O risco é a indiferença, a preguiça, o comodismo, a falta de ardor. O fleumático tende ao morno, e a Escritura adverte que Deus prefere o frio ou o quente ao morno (cf. Ap 3,16). A santificação do fleumático está em despertar o zelo, usando a estabilidade como fundação para uma vida espiritual fervorosa, sem se contentar com a mediania. Quando o fervor brota nessa terra firme, dá frutos como poucos: Tomás de Aquino, Bento, José.

Pontos fortes do fleumático

  • É constante e mantém hábitos por muito tempo.
  • Paz interior, dificilmente perde a calma.
  • Prudência: pondera antes de agir.
  • Capacidade conciliadora: é bom mediador.
  • Fidelidade silenciosa, presença discreta e sólida.

Pontos fracos do fleumático

  • Comodismo: preferir o conforto ao bem maior.
  • Preguiça espiritual (acédia).
  • Indiferença afetiva: expressa pouco o que sente.
  • Falta de iniciativa.
  • Tendência ao "morno" do Apocalipse 3,16.

Três virtudes que o fleumático precisa desenvolver

Fervor
É a virtude que salva o fleumático. Como o morno é o seu maior risco, ele precisa pedir todos os dias o ardor do Espírito Santo. Invocá-Lo já é o primeiro passo para sair da mediania e amar a Deus com calor.
Iniciativa
Contra a falta de iniciativa, vale impor-se uma "ascese da iniciativa": oferecer-se concretamente, ao menos uma vez por dia, para algo que ninguém pediu. Servir antes de ser solicitado transforma a estabilidade em generosidade.
Diligência
A acédia se combate com estrutura, e não com vontade espontânea. Horários fixos, levantar-se sempre na mesma hora e rezar sempre no mesmo lugar fazem da rotina uma aliada, convertendo a constância natural em disciplina espiritual fervorosa.

Três vícios que o fleumático precisa evitar

Acédia (preguiça espiritual)
É o vício capital do fleumático: o desânimo diante das coisas de Deus. Evite-o com leitura espiritual regular de autores que despertem o coração, como Santo Agostinho, Santa Teresa de Ávila e o Cura d'Ars, buscando o ardor e não só o saber.
Comodismo
Preferir o conforto ao bem maior adormece a alma. Pergunte-se com honestidade: "estou em paz porque sirvo, ou porque não me incomodo?" Paz e inércia se parecem de fora e não são a mesma coisa.
Indiferença afetiva
O fleumático ama com presença, mas cala o afeto. Evite esse vício expressando o que sente em palavras. Os seus já sabem que você está por perto; eles precisam ouvir que você se importa.

Dicas espirituais para o fleumático

  1. A virtude que salva o fleumático é o fervor. Reze todos os dias pedindo o ardor do Espírito Santo. Invocá-Lo é o primeiro passo.
  2. Imponha-se uma "ascese da iniciativa": ofereça-se concretamente uma vez ao dia para algo que ninguém lhe pediu.
  3. A Eucaristia diária é, para o fleumático, alimento essencial. A constância natural já lhe favorece; basta começar.
  4. Combata a acédia (preguiça espiritual) com horários fixos: levante-se sempre na mesma hora, reze sempre no mesmo lugar. A estrutura é sua aliada.
  5. Faça leitura espiritual regular de autores que despertem o coração: Santo Agostinho, Santa Teresa de Ávila, Cura d'Ars. Não baste o saber: busque o ardor.

Dicas práticas para o dia a dia

  1. Tome iniciativa antes que precisem pedir. O fleumático espera demais e perde oportunidades de servir.
  2. Expresse afeto em palavras, e não só em presença. Os seus já sabem que você está; eles precisam ouvir que você se importa.
  3. Estabeleça metas concretas com prazo. Sem prazo, o fleumático adia indefinidamente.
  4. Não confunda paz com inércia. Pergunte-se: "estou em paz porque sirvo, ou porque não me incomodo?"
  5. Cultive amizades com sanguíneos e coléricos: a vivacidade deles complementa a sua estabilidade.

Oração do fleumático

Senhor, Vós que me destes coração calmo e mãos firmes, despertai em mim o fervor. Que a minha paz não vire morno, nem a minha paciência vire preguiça. Acendei em mim o fogo do Espírito que ardeu nos santos: a chama discreta, mas ininterrupta. Que eu sirva sem esperar que me peçam, ame sem esperar que me amem, ore sem esperar que me venha vontade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Quatro santos do temperamento fleumático

A Igreja não canoniza temperamentos, e nada aqui é classificação dogmática. São vidas que ilustram o que a graça faz com este modo de ser.

  • Santo Tomás de Aquino

    28 de janeiro

    Chamado na juventude de "boi mudo", calado e ponderado, tornou-se o maior teólogo da Igreja. A "Suma Teológica" é fruto da paciência fleumática unida a uma oração constante diante do Santíssimo. Mostra que ordem e silêncio podem rugir em doutrina.

  • São Bento de Núrsia

    11 de julho

    Patriarca do monaquismo ocidental e patrono da nossa Missão. O lema "ora et labora", que tradicionalmente resume o espírito da sua Regra (embora não seja uma frase literal dela), é o triunfo do fleumático: estabilidade, ritmo, oração e trabalho ordenados. Ensina a transformar a constância natural em raiz profunda de santidade comunitária.

  • São José

    19 de março

    Homem justo, silencioso, fiel. Não temos nas Escrituras uma só palavra dita por ele: só obediência pronta a cada sonho de Deus. É o ícone do fleumático santificado: serenidade, prudência, perseverança discreta no cuidado de Jesus e Maria.

  • Santa Mônica

    27 de agosto

    Mãe de Santo Agostinho, perseverou anos em oração e lágrimas pela conversão do filho, com paciência inquebrantável. Ícone da fidelidade fleumática: a constância serena que, sem alarde, vence pela perseverança.

Perguntas frequentes

O que significa ser fleumático?
Ser fleumático significa ter um temperamento calmo, paciente e equilibrado, ligado na tradição clássica ao humor frio e úmido e ao elemento água. O fleumático mantém hábitos por muito tempo, dificilmente perde a calma e é um bom conciliador; a sua estabilidade é base de comunidades e famílias serenas.
Qual é o significado bíblico associado ao fleumático?
O temperamento em si não é uma categoria bíblica, mas a tradição espiritual aplica ao fleumático a advertência do Apocalipse: "quem dera fosses frio ou quente; mas, porque és morno, vou vomitar-te da boca" (cf. Ap 3,16). O fleumático tende ao morno, e por isso sua santificação passa por despertar o fervor do Espírito.
Quais santos foram fleumáticos?
Como exemplos que ilustram o temperamento, sem classificação dogmática, costumam-se citar Santo Tomás de Aquino, São Bento de Núrsia, São José e Santa Mônica: figuras marcadas pela calma, pela paciência e pela fidelidade perseverante.

Quando o fleumático se combina

Ninguém é de um só temperamento. Quase sempre há um predominante e um complementar, e a mistura muda o retrato.

Para ler sobre o fleumático

Ver a biblioteca do fleumático

Para aprofundar no Ora et Labora

A plataforma Ora et Labora reúne Bíblia, Regra de São Bento, Apoftegmas e orações em um só lugar. Selecionamos abaixo aquilo que mais alimenta o temperamento fleumático.

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