Virtudes para o temperamento fleumático
Foto: PixabayAs virtudes para o temperamento fleumático que mais o moderam são a fortaleza (que vence a apatia e acende o fervor) e a justiça (que move à iniciativa de servir). O fleumático é calmo, pacífico e constante, mas tende ao comodismo e à preguiça; por isso, o caminho de crescimento passa por agir contra essa inclinação ao repouso e abraçar com decisão o bem a ser feito. A graça não anula o seu temperamento sereno: ela o aperfeiçoa, transformando a calma em paz ativa e a estabilidade em fidelidade.
Para entender melhor a base deste artigo, vale conhecer as características gerais do Temperamento Fleumático e revisitar o que são as virtudes. Aqui, vamos cruzar os dois temas de forma prática e doutrinariamente segura.
O temperamento fleumático diante das virtudes
A tradição católica distingue as virtudes teologais (fé, esperança e caridade), que nos unem diretamente a Deus, e as virtudes cardeais (prudência, justiça, fortaleza e temperança), que ordenam nossa vida moral. O temperamento não é um defeito a ser eliminado, mas a matéria-prima sobre a qual a graça e o esforço pessoal trabalham. Cada temperamento tem virtudes que lhe vêm com mais facilidade e outras que exigem combate.
O fleumático costuma ter grande facilidade para a temperança e a prudência. Sua natureza equilibrada o protege de excessos, da pressa e das decisões impulsivas. Ele pondera, espera, mantém a paz no ambiente. São dons reais, que devem ser reconhecidos e agradecidos a Deus.
A graça pressupõe a natureza e a aperfeiçoa: não destrói o temperamento sereno do fleumático, mas o eleva a uma serenidade sobrenatural, ativa e fecunda em caridade.
Os vícios mais comuns do fleumático
Justamente porque o repouso lhe é tão natural, o fleumático precisa vigiar contra certas inclinações desordenadas. Entre os vícios do fleumático mais frequentes estão:
- Preguiça (acédia): não apenas a falta de trabalho, mas a tristeza diante do bem que exige esforço, sobretudo no campo espiritual.
- Comodismo: a tendência a evitar mudanças, desafios e responsabilidades que perturbem sua tranquilidade.
- Indiferença: a frieza diante das necessidades alheias ou das causas do Reino, por desejo de não se incomodar.
- Falta de iniciativa: deixar de fazer o bem possível por hesitação ou por esperar que outro tome a frente.
Note que esses vícios são, em boa parte, pecados de omissão. O fleumático raramente erra por agir demais; ele erra por deixar de agir. Reconhecer isso é o primeiro passo para a conversão.
Como moderar o temperamento fleumático
Para como moderar o temperamento fleumático aplica-se um princípio clássico da vida espiritual: o agere contra, isto é, agir deliberadamente contra a própria inclinação dominante. Onde o fleumático tende a adiar, ele deve antecipar; onde tende a recuar, deve avançar com mansidão e firmeza. Não se trata de violentar a personalidade, mas de educá-la pela graça.
O papel da fortaleza
A fortaleza é a virtude que mais diretamente combate a acédia. Ela dá ao fleumático o fervor necessário para começar, para perseverar e para enfrentar o desconforto do esforço. Pela fortaleza, a calma deixa de ser passividade e se torna constância no bem. Pequenas vitórias diárias contra o adiamento já são exercícios reais desta virtude.
O papel da justiça
A justiça, por sua vez, impulsiona o fleumático a dar a cada um o que lhe é devido, inclusive a iniciativa de servir. Ela o tira da zona de conforto da indiferença e o lança ao cuidado concreto pelo próximo, pela família, pela comunidade. A justiça transforma a paz interior em paz que constrói e edifica.
Plano prático de combate para o fleumático
Um caminho concreto, simples e perseverante vale mais que grandes resoluções abandonadas. Sugerimos:
- Defina horários fixos para oração, trabalho e descanso, e respeite-os mesmo sem vontade. A regularidade é aliada natural do fleumático.
- Pratique o "faça agora": diante de uma tarefa pequena que poderia adiar, faça-a imediatamente. Combate direto ao comodismo.
- Assuma um serviço concreto na comunidade ou na família, com responsabilidade clara. Isso exercita a justiça e a iniciativa.
- Examine a consciência sobre as omissões, não só sobre o que fez de errado, mas sobre o bem que deixou de fazer.
- Reze pedindo fervor: peça a Deus o dom da fortaleza, reconhecendo que a graça aperfeiçoa a sua natureza calma.
Lembre-se: a meta não é deixar de ser fleumático, mas tornar-se um fleumático santo, cuja serenidade reflete a paz de Cristo e cuja constância se traduz em fidelidade ativa.
Perguntas frequentes
Quais são as melhores virtudes para o fleumático cultivar?
As que mais o moderam são a fortaleza, que vence a preguiça e acende o fervor, e a justiça, que desperta a iniciativa de servir. Já a temperança e a prudência costumam vir com mais facilidade ao fleumático e devem ser reconhecidas como dons a serem agradecidos e bem usados.
Como moderar o temperamento fleumático no dia a dia?
Aplicando o princípio do agere contra: agir deliberadamente contra a inclinação ao repouso. Isso significa cumprir horários fixos, fazer agora o que tende a adiar, assumir serviços concretos e pedir a Deus o dom do fervor. Pequenas vitórias diárias formam o hábito virtuoso.
Quais são os vícios mais comuns do fleumático?
Predominam a preguiça ou acédia, o comodismo, a indiferença e a falta de iniciativa. São, em geral, pecados de omissão: o fleumático costuma errar mais por deixar de fazer o bem do que por agir mal. Vigiar essas tendências é essencial para o crescimento espiritual.
Quer alimentar o fervor que vence o comodismo? Medite os ensinamentos dos Padres do Deserto sobre a acédia e a perseverança nos apoftegmas do portal Ora et Labora.

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