Virtudes para o temperamento Colérico: como moderá-lo
Foto: PixabayAs virtudes para o temperamento colérico são, antes de tudo, a mansidão, a humildade e a prudência, que moderam diretamente as inclinações mais perigosas desse temperamento: a ira, a soberba e a impaciência. O colérico é uma alma de fogo, voluntariosa, decidida e ambiciosa; por isso precisa aprender a domar essa força para que ela sirva ao bem e não ao próprio orgulho. A boa notícia é que a graça aperfeiçoa a natureza: Deus não pede que o colérico deixe de ser ardente, mas que ordene esse ardor à caridade.
O fogo que precisa ser ordenado
O temperamento colérico se caracteriza por reações fortes e duradouras. Quem o possui costuma ser corajoso, líder nato, perseverante e capaz de grandes empreendimentos. Esses são dons reais que a Igreja não despreza. O problema não está na energia, mas na sua falta de ordem. Quando o colérico não trabalha sua vida interior, suas qualidades degeneram em vícios. Para entender melhor a base natural desse perfil, vale conhecer o Temperamento Colérico em detalhe.
Os vícios mais comuns do colérico
Entre os sete vícios capitais (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça), o colérico tende a tropeçar especialmente em alguns. Reconhecê-los já é meio caminho andado:
- Soberba: a confiança em si mesmo se transforma em orgulho, dificuldade de pedir conselho e desprezo pelos mais fracos.
- Ira: a reação rápida e intensa explode em palavras duras, impaciência e desejo de impor a própria vontade.
- Dureza de coração: a firmeza vira insensibilidade diante do sofrimento alheio.
- Impaciência e teimosia: a determinação descamba em pressa, intolerância com o ritmo dos outros e relutância em ceder.
O colérico raramente peca por fraqueza; peca por excesso de si mesmo. Sua conversão começa quando descobre que precisa de Deus e dos outros.
As virtudes que mais moderam o colérico
Para conhecer o quadro completo da vida virtuosa cristã, recomendamos a leitura sobre O que são as virtudes. Aqui destacamos aquelas que agem diretamente sobre as tendências do colérico.
Mansidão e temperança: o freio da ira
A temperança é a virtude cardeal que modera os impulsos, e a ela se associa a mansidão, que governa a ira. Para o colérico, crescer em mansidão significa aprender a pausar antes de reagir, a falar com brandura mesmo quando tem razão e a transformar a indignação em ação serena. Mansidão não é fraqueza nem covardia: é força sob domínio.
Humildade: o remédio da soberba
A humildade é o solo em que as demais virtudes crescem e o antídoto direto da soberba. Para o colérico, ela se traduz em reconhecer os próprios erros, pedir desculpas, ouvir conselhos e dar crédito aos outros. Sem humildade, todas as suas qualidades viram instrumentos do ego.
Prudência: a virtude da escuta
A prudência é a virtude cardeal que dirige todas as demais, ajudando a aplicar a razão reta ao agir. O colérico, que tende a decidir rápido e sozinho, precisa cultivar a prudência como capacidade de escutar, ponderar e esperar o momento certo. A prudência transforma a impulsividade em discernimento.
Fortaleza e justiça: o terreno mais fértil
Há virtudes que o colérico desenvolve com relativa facilidade, justamente por afinidade com seu temperamento. A fortaleza — a coragem de enfrentar dificuldades e perseverar no bem — lhe é quase natural; basta orientá-la para causas justas e não para a autoafirmação. A justiça — dar a cada um o que lhe é devido — também combina com seu senso de dever, desde que temperada pela misericórdia.
Um plano prático de combate
A ascética cristã ensina o princípio do agere contra: agir deliberadamente contra a própria inclinação desordenada. Para o colérico, isso pode tomar a forma de exercícios concretos:
- Pausa antes da reação: ao sentir a ira subindo, respirar, calar por alguns segundos e oferecer uma jaculatória interior antes de responder.
- Pedir conselho de propósito: consultar outra pessoa antes de tomar decisões importantes, mesmo quando tem certeza.
- Servir nos pequenos detalhes: assumir tarefas humildes e ocultas que ninguém vê, para cavar a humildade.
- Praticar a paciência ativa: aceitar o ritmo mais lento dos outros sem cobrar nem corrigir.
- Exame de consciência diário: rever a cada noite os momentos de impaciência, dureza ou orgulho, pedindo perdão e propondo emenda.
- Vida sacramental e oração: a confissão frequente e a Eucaristia são a fonte da graça que aperfeiçoa a natureza colérica.
Vale lembrar que ninguém é colérico "puro" e que o temperamento não é um destino nem uma desculpa. É um ponto de partida que a graça pode elevar até a santidade. Muitos santos de têmpera ardente — homens e mulheres de vontade firme — souberam colocar todo o seu fogo a serviço de Deus.
Perguntas frequentes
Quais são as melhores virtudes para o colérico?
As virtudes que mais moderam o colérico são a mansidão e a temperança (contra a ira), a humildade (contra a soberba) e a prudência (contra a impulsividade). A fortaleza e a justiça, por sua vez, são as que ele desenvolve com mais facilidade e que devem ser orientadas para o bem.
Como moderar o temperamento colérico no dia a dia?
Pela prática constante do agere contra: fazer pausas antes de reagir, pedir conselho, servir em tarefas humildes, exercitar a paciência com o ritmo alheio e manter exame de consciência diário, oração e vida sacramental, deixando a graça aperfeiçoar a natureza.
Quais são os vícios mais comuns do colérico?
Os vícios para os quais o colérico mais se inclina são a soberba, a ira, a dureza de coração e a impaciência ou teimosia. São desordens de seus próprios dons naturais — energia, firmeza e decisão — quando não ordenados pela caridade.
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