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Liturgia, Silêncio e Atuação (I): a Paz que Nasce da Cruz

Primeiro texto da série "Liturgia — Silêncio e Atuação": a colunista Stella Maria Ferreira reflete sobre o silêncio fecundo que sustenta a Santa Missa e conduz à paz da Cruz.

Stella Maria FerreiraStella Maria Ferreira3 min de leitura
Cruz de madeira escura na fachada branca de uma capela, com um banco de pedra à frenteFoto: Pixabay
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Por uma beneditina

Este é o primeiro texto da série "Liturgia — Silêncio e Atuação", nova coluna na Tenda do Senhor. Ao longo dela, a autora vai explorar, de tempos em tempos, os gestos, os silêncios e a beleza que atravessam a liturgia da Igreja — começando por esta reflexão sobre a paz que nasce do silêncio diante da Cruz.

O silêncio que guarda a palavra

O silêncio, fecundo que é, guarda, paradoxalmente, a palavra. As pausas, os vazios fazem o corpo respirar para a verdadeira escuta que permitirá digerir a beleza. Na Liturgia — do grego leitourgia, "trabalho prestado em favor do povo", obra pública —, o silêncio convida a tão esperada presença que venha a preencher completamente o ser humano.

Um movimento de som e quietude: a Santa Missa

A Santa Missa, atualização do sacrifício de Cristo, na Liturgia da Palavra e na Liturgia Eucarística, leva à adoração, ao agradecimento, à reparação e à súplica, num movimento de som e quietude, mudez e canção, vocábulos e reserva. Ao longo deste tempo não mais cronológico, a oração mais eficaz é aquela que o Espírito Santo suscita. Com gemidos inefáveis, a Terceira Pessoa da Trindade faz derramar alegria viva no interior, impulsionada pela virtude teologal da esperança. Nas pegadas dos profetas e apóstolos, o Corpo Místico de Cristo acompanha o itinerário do Mestre até o cume da glória na Cruz.

"A liturgia é autoexpressão do ser humano, mas do ser humano como deve ser. Torna-se para ele, assim, rígida disciplina."
— Romano Guardini, Formação Litúrgica (2024, p. 176)

O caminho está aberto, assim, para a conversão.

Não lição, mas encontro: a ação sobrenatural da liturgia

Como escreve Stella Maria, na pedagogia divina, a Santa Missa não se pretende lição, mas sim ação sobrenatural, leveza do encontro. A virtude da fé é fonte que faz o fiel voar por dentro e tocar a Deus — o que, afinal, pede o coração. Na mediação das leituras, dos gestos, dos ritos, o contato imediato com Deus acontece do jeito por Ele desejado: dócil e pungentemente. A indiferença se ausenta diante dos braços abertos do Pastor ferido por amor, porta para a reconciliação pela graça. Aqui, os sentidos se desprendem de suas atuações naturais diante do Amante que se submete à criatura amada.

A paz que liberta

A lei da oração comunitária é liberdade — e a alma do fiel, desnudada de tudo, é pacificada.

Este foi o primeiro passo da série "Liturgia — Silêncio e Atuação". Na próxima reflexão, Stella Maria segue o itinerário do silêncio litúrgico pelo caminho da beleza.

Para levar este silêncio além da leitura, visite a seção de Orações no Ora et Labora e reserve, hoje, um tempo de quietude diante de Deus.

Ora et Labora

Bíblia Católica, Catecismo, documentos da Igreja e orações estão reunidos na plataforma Ora et Labora, junto com o nosso podcast.

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Stella Maria Ferreira

Stella Maria Ferreira

Graduada em Letras, com mestrado e doutorado em Ciência da Literatura pela UFRJ; graduanda em Teologia pela Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro.

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