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Os quatro temperamentos · Fogo · Quente e seco

Temperamento Colérico

Vontade firme e liderança natural. O chamado é temperar a força com mansidão.

Chamas altas de fogo sobre uma grelha, contra fundo escuroFoto: Ricardo Gomez Angel, Unsplash

O colérico tem vontade forte, decisão rápida e visão prática. É líder natural: vê o caminho, define a meta e arrasta os outros consigo. Não foge da luta, suporta dificuldades e gera grandes obras. Essa mesma energia, se desordenada, gera grandes pedras de tropeço: orgulho, dureza, irritação, dificuldade em pedir desculpas, em obedecer, em esperar. A santificação do colérico está em colocar essa força a serviço do Reino, sob a docilidade do Espírito Santo, aprendendo a humildade que Cristo aprendeu na cruz. O colérico santificado guarda a determinação e a reorienta. Em vez de mandar, serve. Em vez de quebrar resistências, persuade. Em vez de impor, intercede.

Pontos fortes do colérico

  • Vontade forte: realiza o que decide.
  • Coragem diante de obstáculos.
  • Lidera com naturalidade: organiza, anima, conduz.
  • Resistência ao desânimo.
  • Senso prático e capacidade de execução.

Pontos fracos do colérico

  • Orgulho e autossuficiência.
  • Ira, dureza, intolerância com a fraqueza alheia.
  • Teimosia: dificuldade em mudar de opinião.
  • Atropela quem é mais lento.
  • Dificuldade em pedir desculpas e em obedecer.

Três virtudes que o colérico precisa desenvolver

Humildade
É a pedra angular da santidade do colérico. Contra o orgulho e a autossuficiência, ele precisa reconhecer-se pequeno diante de Deus. Rezar diariamente as Ladainhas da Humildade é um caminho concreto, porque elas atingem o ponto que mais resiste.
Obediência
Contra a teimosia e a dificuldade de submeter-se, o colérico precisa praticar a obediência concreta: ter um direcionamento espiritual e cumprir o que ele lhe disser, mesmo quando a razão protestar. Confiar é, para ele, o exercício por excelência.
Mansidão
Contra a dureza e a ira, a mansidão. O colérico encontra sua escola no Sagrado Coração de Jesus, "manso e humilde de coração" (Mt 11,29). Cultivar essa devoção transforma o zelo que fere em zelo que conquista.

Três vícios que o colérico precisa evitar

Orgulho
O vício-raiz do colérico. Manifesta-se na autossuficiência, na convicção de não precisar de ninguém. Evita-se com o exame de consciência diário e com a aceitação humilde das humilhações que Deus permite, a "espinha na carne" (cf. 2Cor 12,7) que, para o colérico, vale mais que dez retiros.
Ira
A dureza e a intolerância com a fraqueza alheia explodem em irritação. O remédio é prático. Antes de responder a uma crítica ou contrariedade, contar até dez. O colérico ganha com cada segundo de atraso na reação.
Teimosia
A dificuldade em mudar de opinião fecha o colérico para o conselho. Evita-se treinando a escuta, deixando o outro terminar a frase, e consultando, nas decisões importantes, ao menos um melancólico ou fleumático, cujo olhar oferece o contraponto necessário.

Dicas espirituais para o colérico

  1. A pedra angular da sua santidade é a humildade. Reze diariamente as Ladainhas da Humildade: elas batem onde dói.
  2. Pratique a obediência concreta: tenha um direcionamento espiritual e cumpra o que ele lhe disser, mesmo quando a sua razão protestar.
  3. Faça exame de consciência todos os dias antes de dormir, com foco em duas perguntas: "Em quem fui duro hoje? A quem devo pedir desculpas?"
  4. Acolha a "espinha na carne" (cf. 2Cor 12,7), a humilhação que Deus permite. Para o colérico, ela vale mais que dez retiros.
  5. Cultive devoção ao Sagrado Coração de Jesus, "manso e humilde de coração" (Mt 11,29). É a sua escola.

Dicas práticas para o dia a dia

  1. Antes de responder a uma crítica ou contrariedade, conte até dez. O colérico ganha com cada segundo de atraso na reação.
  2. Treine a escuta: deixe o outro terminar a frase antes de responder. Você verá o quanto interrompe.
  3. Diga "obrigado" e "desculpe" mais vezes do que sente vontade. A vontade vem depois.
  4. Delegue de fato, em vez de só distribuir tarefas. Confiar é o exercício colérico por excelência.
  5. Nas decisões importantes, consulte ao menos um melancólico ou fleumático: o seu olhar precisa do contraponto deles.

Oração do colérico

Senhor, que me destes vontade firme e coração ardente, ensinai-me a mansidão. Tirai de mim a aspereza, o orgulho, a dureza com os fracos. Fazei do meu zelo um zelo segundo o Vosso Coração, que arde, mas não queima; que vence, mas não fere. Que toda a minha força seja para o Vosso Reino, e não para o meu. Manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso. Amém.

Quatro santos do temperamento colérico

A Igreja não canoniza temperamentos, e nada aqui é classificação dogmática. São vidas que ilustram o que a graça faz com este modo de ser.

  • São Paulo Apóstolo

    29 de junho

    Antes Saulo: zeloso a ponto de perseguir cristãos. Convertido, transformou o mesmo ímpeto em incansável anúncio do Evangelho até as fronteiras do Império. É o retrato do colérico redimido, cuja força Cristo reorienta em vez de apagar.

  • Santa Catarina de Sena

    29 de abril

    Doutora da Igreja. Com firmeza ardente convenceu o Papa a voltar de Avignon para Roma e enfrentou príncipes e cardeais sem temor. Mostra como o colérico, dócil ao Espírito, torna-se reformador da Igreja em vez de tirano.

  • Santo Inácio de Loyola

    31 de julho

    Soldado ferido, convertido em Manresa, fundador da Companhia de Jesus. "Ad maiorem Dei gloriam" e os Exercícios Espirituais são fruto da vontade colérica disciplinada pela graça: estratégia, decisão e total entrega a Cristo.

  • São Jerônimo

    30 de setembro

    Doutor da Igreja de temperamento notoriamente combativo e irascível, que pôs todo o seu fogo a serviço da Palavra, traduzindo a Bíblia (Vulgata). Exemplo do colérico cuja energia, disciplinada pela penitência, gera obra imensa.

Perguntas frequentes

O que significa ser colérico?
Ser colérico significa ter um temperamento de fogo, quente e seco, marcado por vontade firme, decisão rápida, senso prático e liderança natural. O colérico realiza o que decide e não recua diante de obstáculos, mas precisa temperar essa força com humildade e mansidão para que ela não vire orgulho e dureza.
Quais santos ilustram o temperamento colérico?
Entre os santos que ilustram a força colérica reorientada por Cristo estão São Paulo Apóstolo, Santa Catarina de Sena, Santo Inácio de Loyola e São Jerônimo. Em cada um, a energia ardente não foi apagada, mas posta inteiramente a serviço de Deus.
Qual a principal virtude que o colérico deve buscar?
A humildade. Ela é a pedra angular da santidade do colérico, porque combate diretamente o orgulho e a autossuficiência, que são suas raízes de pecado. Devoções como as Ladainhas da Humildade e o exame de consciência diário ajudam a cultivá-la.

Quando o colérico se combina

Ninguém é de um só temperamento. Quase sempre há um predominante e um complementar, e a mistura muda o retrato.

Para ler sobre o colérico

Ver a biblioteca do colérico

Para aprofundar no Ora et Labora

A plataforma Ora et Labora reúne Bíblia, Regra de São Bento, Apoftegmas e orações em um só lugar. Selecionamos abaixo aquilo que mais alimenta o temperamento colérico.

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