Minha jornada com a iconografia
Foto: Pixabay“O pincel se torna oração, e o ícone, uma janela aberta para o céu.”
A iconografia não é apenas uma arte antiga, mas um caminho espiritual que nos ensina a ver além das formas e das cores. Cada traço, cada detalhe, cada auréola é um convite silencioso para contemplar o mistério divino.
A iconografia traça em nós uma oração única, assim como o rosto de Jesus é único. Cada ícone é uma experiência irrepetível, um encontro pessoal com o divino que nos molda por dentro e nos aproxima da eternidade.
Primeiros passos em Roma
Minha caminhada na iconografia começou em Roma, em 2000. Foi ali que tive contato com grandes nomes como Caravaggio e Pietro Cavallini, no Mosteiro de Santa Cecília. Inicialmente, dediquei-me à iluminura, incentivada por Madre Giovanna. A experiência foi encantadora, mas meu coração buscava algo além das letras e ornamentos.
O desafio dos ícones
Aqui no mosteiro, Maria Luiza, nossa oblata, ofereceu um curso de iconografia. À primeira vista, parecia simples, mas logo percebi a profundidade e a exigência dessa arte. Foi uma introdução singela, mas também um grande desafio. Cheguei a pensar que não fosse minha vocação.
Uma resposta generosa
Depois de muita busca, em 2023, encontrei um curso de iconografia bizantina no Mosteiro de Santa Rosa/RS. Escrevi para D. Paulo manifestando meu desejo, e sua resposta foi surpreendentemente generosa. Ali conheci o Mosteiro da Transformação, a mestra Rosalva e companheiros que se tornaram parte da minha jornada iconográfica.
Moldando o rosto de Cristo
A iconografia não é apenas técnica: ela molda nossa trajetória espiritual. Cada traço revela o rosto de Jesus, que se mostra em pequenas pinceladas. Muitas vezes, a identificação é tão profunda que nos confundimos com Ele. É uma descoberta contínua de como Cristo deseja ser visto.
Experiência no Rio de Janeiro
Ano passado participei de outro curso no Mosteiro de São Bento/RJ. Cada comunidade monástica tem sua identidade, e ali fui recebida com muito carinho por D. Filipe e D. André. O ícone escolhido foi de Nossa Senhora. Ao lado de Maria Amélia, que estava fazendo o curso comigo, compartilhamos risadas ao lidar com os detalhes minuciosos da auréola — apelidados carinhosamente de “bolotinhas”. No fim, tudo deu certo, e o rosto de Maria brilhou com sua auréola especial.
Esperança para o futuro
Agora aguardo, com alegria e expectativa, a oportunidade de participar de mais uma aventura iconográfica em novembro, no Mosteiro de Santo Ivo, em Santa Catarina. Que o Senhor me conceda a graça de conhecê-Lo cada vez mais através de Seus santos ícones.
Que cada novo ícone seja mais do que uma obra: seja um “Encontro”. Que o Senhor continue a me guiar — e a todos que percorrem esse caminho — para que possamos descobrir sempre mais a Sua presença viva nos Santos ícones.
Contemple também com a Igreja: reze a Liturgia das Horas no Ora et Labora e deixe que a oração de cada dia abra em você a mesma janela.



