Pular para o conteúdo

Minha jornada com a iconografia

Uma monja beneditina conta seu caminho na iconografia: os primeiros passos em Roma, o curso de iconografia bizantina no Mosteiro de Santa Rosa, o ícone de Nossa Senhora pintado no Mosteiro de São Bento e o que o pincel…

Ir. Plácida Santos, OSBIr. Plácida Santos, OSB3 min de leitura
Ir. Plácida Santos, OSB, curvada sobre a mesa de trabalho, pinta um ícone com pincel finoFoto: Acervo pessoal de Ir. Plácida Santos, OSB
Conhece alguém que precisa ler isso?WhatsAppFacebook
Neste artigo

“O pincel se torna oração, e o ícone, uma janela aberta para o céu.”

A iconografia não é apenas uma arte antiga, mas um caminho espiritual que nos ensina a ver além das formas e das cores. Cada traço, cada detalhe, cada auréola é um convite silencioso para contemplar o mistério divino.

A iconografia traça em nós uma oração única, assim como o rosto de Jesus é único. Cada ícone é uma experiência irrepetível, um encontro pessoal com o divino que nos molda por dentro e nos aproxima da eternidade.

Primeiros passos em Roma

Minha caminhada na iconografia começou em Roma, em 2000. Foi ali que tive contato com grandes nomes como Caravaggio e Pietro Cavallini, no Mosteiro de Santa Cecília. Inicialmente, dediquei-me à iluminura, incentivada por Madre Giovanna. A experiência foi encantadora, mas meu coração buscava algo além das letras e ornamentos.

O desafio dos ícones

Aqui no mosteiro, Maria Luiza, nossa oblata, ofereceu um curso de iconografia. À primeira vista, parecia simples, mas logo percebi a profundidade e a exigência dessa arte. Foi uma introdução singela, mas também um grande desafio. Cheguei a pensar que não fosse minha vocação.

Uma resposta generosa

Depois de muita busca, em 2023, encontrei um curso de iconografia bizantina no Mosteiro de Santa Rosa/RS. Escrevi para D. Paulo manifestando meu desejo, e sua resposta foi surpreendentemente generosa. Ali conheci o Mosteiro da Transformação, a mestra Rosalva e companheiros que se tornaram parte da minha jornada iconográfica.

Moldando o rosto de Cristo

A iconografia não é apenas técnica: ela molda nossa trajetória espiritual. Cada traço revela o rosto de Jesus, que se mostra em pequenas pinceladas. Muitas vezes, a identificação é tão profunda que nos confundimos com Ele. É uma descoberta contínua de como Cristo deseja ser visto.

Experiência no Rio de Janeiro

Ano passado participei de outro curso no Mosteiro de São Bento/RJ. Cada comunidade monástica tem sua identidade, e ali fui recebida com muito carinho por D. Filipe e D. André. O ícone escolhido foi de Nossa Senhora. Ao lado de Maria Amélia, que estava fazendo o curso comigo, compartilhamos risadas ao lidar com os detalhes minuciosos da auréola — apelidados carinhosamente de “bolotinhas”. No fim, tudo deu certo, e o rosto de Maria brilhou com sua auréola especial.

Esperança para o futuro

Agora aguardo, com alegria e expectativa, a oportunidade de participar de mais uma aventura iconográfica em novembro, no Mosteiro de Santo Ivo, em Santa Catarina. Que o Senhor me conceda a graça de conhecê-Lo cada vez mais através de Seus santos ícones.

Que cada novo ícone seja mais do que uma obra: seja um “Encontro”. Que o Senhor continue a me guiar — e a todos que percorrem esse caminho — para que possamos descobrir sempre mais a Sua presença viva nos Santos ícones.

Ir. Plácida Santos, OSB

Ir. Plácida Santos, OSB

Monja beneditina desde 1995, do Mosteiro da Virgem, em Petrópolis. Dedica-se à iconografia, que estudou em Roma, no Mosteiro de Santa Rosa (RS) e no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.

Ver todos os textos de Ir. Plácida Santos, OSB

Quer levar isso pra vida?

Sacerdote de casula vermelha incensando o altar, com um monge ao lado, numa capela

Martírio de amor

A colunista Stella Maria Ferreira parte do relato sobre o monge trapista Bento Chao para falar do martírio silencioso de quem, dia após dia, inclina o ouvido do coração e obedece.

Continue a leitura