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A Criação – Teorias sobre a Origem do Mundo

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A Criação – Teorias sobre a Origem do Mundo

Teorias sobre a Origem do Mundo

São quatro as principais teorias que os pensadores têm proposto para explicar as origens do mundo e do homem. Examinemos cada qual de per si.

O Dualismo

O Dualismo supõe dois princípios eternos: um bom e outro mau, responsáveis por tudo o que existe. Assim pensavam os pitagóricos, os antigos persas, os maniqueus. Tal teoria é falha por dois motivos:

a) admite dois eternos ou absolutos, o que destrói os conceitos de Eterno e Absoluto; só pode haver um Eterno e um Absoluto; dois seres “eternos” seriam simplesmente temporais e relativos;

b) o mal não é um princípio subsistente como o bem; o mal é uma carência de ser; não subsiste em si, mas só existe no bem.

O Emanatismo

O Emanatismo é a doutrina do hinduísmo, por exemplo. Pode tomar os nomes de monismo (só existe uma substância real) e panteísmo (tudo é a própria Divindade posta em evolução). Supõe uma fonte suprema e perfeitíssima da qual vão emanando por evolução todas as realidades visíveis.

Esta teoria é assaz difundida em grupos religiosos contemporâneos, que admitem haver no homem uma centelha de Deus. Incide no erro de imaginar que o Absoluto ou a Divindade se possa tornar relativo ou transitório; nisto há uma contradição.

O Materialismo

O Materialismo de Karl Marx tenta explicar o mundo pela matéria posta em movimento dialético (tese, antítese e síntese). Todavia, pergunta-se: “donde vem a matéria?” “É eterna, sem começo?” Se não teve começo, é Deus – o que redunda em panteísmo, contrariamente às intenções de Marx.

Jacques Monod admite que o mundo seja o resultado do acaso (um jogo de roleta) e da necessidade. Todavia, a) a origem da matéria da roleta cósmica não é explicada; b) o acaso não é um sujeito que explique fenômenos, mas é um cruzamento de causas imprevisto ou não preparado.

O Criacionismo

O Criacionismo: criar é produzir algo a partir do nada. Difere de fazer ou fabricar, ações que supõem matéria preexistente. Só Deus cria, pois dá origem a todas as coisas em seu nível mais profundo, nível em que elas começam a ser. Só Deus pode atingir os seres em sua raiz mais profunda ou “desde a estaca zero”.

Aqui, não se pode julgar que o nada a partir do qual Deus cria é uma espécie de matéria preexistente; isso seria antropomorfismo (atribuir características ou aspectos humanos a animais, deuses, elementos da natureza e constituintes da realidade em geral). O Ser Absoluto é apto a produzir pela raiz outros seres – não absolutos, mas finitos e criados.

Somente o Criacionismo satisfaz às exigências do pensamento lógico. É a doutrina adotada pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja. O fato da criação é fundamental para toda a teologia, porque incute a dependência radical de todos os seres em relação a Deus e evidencia tanto os limites como a grandeza de cada criatura, feita por um Deus santo e sábio.

A Criação na Sagrada Escritura

A Bíblia abre-se com o relato da criação: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1, 1). “Céus e terra”, no caso, designam a totalidade das criaturas. O verbo bara’, traduzido por criou, costuma designar na Bíblia a ação de Deus singular, soberana, pois só ocorre com o sujeito “Deus” e sempre para indicar que o objeto produzido é algo que ultrapassa a ordem natural das coisas ou é algo novo.

A criação a partir do nada é insinuada em textos como o de Is 44, 24: “Eis o que diz o Senhor, teu Redentor, que te formou desde o seio de tua mãe: Sou eu, o Senhor, que fiz todas as coisas, sozinho estendi os céus. Firmei a terra: quem estava comigo?”.

No Novo Testamento, a criação do mundo e do homem é frequentemente relacionada com o Verbo (Logos) de Deus: “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1, 3). Especialmente digno de nota é o texto de Cl 1, 15-16: “Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação. Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele.” Cristo é o eixo de convergência de todas as criaturas antes mesmo da sua obra redentora.

A Criação no Magistério da Igreja

O magistério da Igreja tem repetido a doutrina da criação a partir do nada e no início dos tempos. Assim, professamos no Credo: “Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra”.

O Concílio de Latrão IV, em 1215, tendo em vista o dualismo dos cátaros, definiu a existência de um “Criador de todos os seres visíveis e invisíveis, espirituais e corporais, que pela sua onipotência no início dos tempos criou, a partir do nada, as criaturas espirituais e as corporais, os anjos e o mundo, e, finalmente, o ser humano, que consta de espírito e corpo”.

A Criação e as Ciências Naturais

Até o século passado, os cristãos julgavam que os textos bíblicos sobre a criação ofereciam uma descrição científica da origem do mundo e do homem. Todavia, o progresso da lingüística, da arqueologia e da historiografia manifestaram aos estudiosos que os autores sagrados não tencionavam propor teorias de ciências naturais, mas, sim, uma reflexão filosófico-teológica sobre o mundo e o homem à luz de Deus. Por isto, não se pode concluir coisa alguma pró ou contra uma certa modalidade de evolucionismo a partir de Gn 1-3.

A matéria não é eterna: começou mediante um ato criador de Deus, que a tirou do nada e lhe terá dado leis de evolução. Orientada pelo Criador, a matéria inicial se desenvolveu, produzindo os reinos mineral, vegetal e animal irracional; todos estes elementos são meramente materiais e, por isso, podiam estar contidos na potencialidade da matéria primitiva.

Quando a matéria do primata estava devidamente organizada para ser sede da vida humana ou de uma alma espiritual, ocorreu novo ato criador de Deus para dar origem ao espírito, que é algo totalmente novo em relação à matéria e não pode provir desta por evolução. Assim, se conciliam criação e evolução.

A Mensagem Teológica de Gn 1, 1 – 2, 4 (Hexaémeron)

  1. Deus é um só. Não há pois astros sagrados, bosques sagrados, animais sagrados;
  2. Deus é bom e, por isto, fez o mundo muito bom. Se há mal no mundo, não vem de Deus, mas do homem. O texto rejeita toda forma de dualismo ou de repudio à matéria como se fosse essencialmente má;
  3. O mundo não é eterno, mas foi criado por Deus e começou a existir;
  4. O homem é o lugar-tenente de Deus, não por sua corporeidade, mas por sua alma espiritual dotada de inteligência e vontade;
  5. O casamento é abençoado por Deus, tornando-se uma instituição natural;
  6. O trabalho do homem é continuação da obra de Deus; é santo desde que seja executado em consonância com o plano do Criador.

De maneira geral, podemos dizer que toda a tendência do hexaémeron é apresentar o homem como mediador entre o mundo inferior e Deus; esse mediador exerce um sacerdócio ou a missão de fazer que todas as criaturas irracionais, devidamente utilizadas pelo trabalho do homem, deem glória ao Criador.

Exercitando

A Equipe de Formação preparou ainda um flash quiz, um quiz de cinco perguntas, com o objetivo de exercitar o conteúdo que foi ensinado aqui. E aí, você topa? Acesse o Flash Quiz: Teorias sobre a Origem do Mundo.

Quer ir além do dualismo, do panteísmo e das demais teorias sobre a origem do mundo? Escute o podcast do Ora et Labora e aprofunde a fé na Criação à luz da doutrina católica.

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