Ato de contrição: oração e significado
Foto: PixabayO ato de contrição é uma oração de arrependimento pela qual o cristão reconhece seus pecados, dói-se de tê-los cometido e propõe-se a não pecar mais, confiando na misericórdia de Deus. Existem vários atos de contrição, mas todos exprimem a mesma realidade: o coração que se volta para Deus pedindo perdão. É uma das partes essenciais do sacramento da Confissão, mas também pode ser rezado a qualquer momento, sempre que percebemos que ofendemos a Deus e queremos nos reconciliar com Ele.
O que é a contrição
A palavra contrição vem do latim e significa, literalmente, "quebrar" ou "esmagar". Aplicada à vida espiritual, descreve um coração contrito, isto é, um coração que se reconhece quebrantado pelo pecado e que, por isso mesmo, se abre humildemente ao perdão. A Sagrada Escritura já cantava essa atitude: "Coração contrito e humilhado, ó Deus, não desprezarás."
O ensino católico distingue duas formas de arrependimento, ambas verdadeiras e capazes de dispor à graça:
- Contrição perfeita: nasce do amor a Deus, amado acima de todas as coisas. Quem se arrepende porque feriu a um Pai tão bom já recebe o perdão de Deus, ainda que permaneça a obrigação de confessar os pecados graves na primeira ocasião possível.
- Contrição imperfeita (ou atrição): brota da consideração da feiura do pecado ou do temor das suas consequências. É um dom de Deus, um impulso do Espírito Santo, e basta para receber o perdão no sacramento da Confissão.
O texto tradicional do ato de contrição
Entre as muitas fórmulas, uma das mais conhecidas e rezadas começa com as palavras "Meu Deus, porque sois infinitamente bom". Trata-se de uma oração simples que reúne os elementos do verdadeiro arrependimento:
Meu Deus, porque sois infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, eu me arrependo de todo o coração de Vos ter ofendido. Proponho firmemente, ajudado pela vossa graça, não mais pecar e fugir das ocasiões de pecado. Senhor, misericórdia, perdoai-me.
Há também a fórmula que principia por "Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro", igualmente difundida. Você não precisa decorar uma versão exata: o que importa é que a oração exprima sinceramente os passos do arrependimento.
Os elementos de um bom ato de contrição
Qualquer ato de contrição autêntico deveria conter, ao menos implicitamente, estes movimentos do coração:
- Reconhecimento: admitir diante de Deus que pequei.
- Dor e arrependimento: entristecer-me por ter ofendido a Deus, que é digno de todo amor.
- Propósito de emenda: decidir, com a ajuda da graça, não tornar a pecar e evitar as ocasiões que me levam ao pecado.
- Confiança no perdão: apoiar-me na misericórdia de Deus, que nunca se cansa de perdoar quem se converte.
O ato de contrição na Confissão
No sacramento da Penitência, depois de confessar os pecados e de ouvir o conselho e a penitência do sacerdote, o penitente reza o ato de contrição. Esse momento não é um mero detalhe: a contrição é considerada o ato mais importante por parte de quem se confessa, porque sem verdadeiro arrependimento o sacramento não produz seus frutos. Logo a seguir, o sacerdote pronuncia as palavras da absolvição, pelas quais Deus, rico em misericórdia, perdoa os pecados.
Reconciliar-se com Deus é também reconciliar-se com a Igreja e crescer na vida da graça. Por isso a Igreja recomenda a confissão frequente, mesmo dos pecados menos graves: ela forma a consciência reta, fortalece contra as más inclinações e nos faz progredir no caminho da santidade. Para aprofundar outros temas da fé e da vida sacramental, visite a seção Oficina Catequética.
Por que rezar o ato de contrição fora da Confissão?
Rezar o ato de contrição faz parte de uma boa higiene espiritual. Ao fim do dia, no chamado exame de consciência, é piedoso recordar as faltas cometidas e fazer um ato de arrependimento. Esse hábito mantém o coração sensível à voz de Deus e prepara para uma confissão mais frutuosa. Em caso de pecado grave, porém, o ato de contrição não substitui a Confissão sacramental, que continua sendo o caminho ordinário do perdão.
Perguntas frequentes
Quais são os atos de contrição mais conhecidos?
Há vários atos de contrição na tradição católica. Os mais difundidos no Brasil começam com "Meu Deus, porque sois infinitamente bom" e com "Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro". Todos exprimem arrependimento, propósito de não mais pecar e confiança na misericórdia divina; pode-se escolher aquele com que você mais se identifica.
Como é o ato de contrição "Meu Deus, porque sois infinitamente bom"?
Essa oração diz, em síntese: "Meu Deus, porque sois infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, eu me arrependo de todo o coração de Vos ter ofendido; proponho firmemente, com a vossa graça, não mais pecar e fugir das ocasiões de pecado." O essencial é rezá-la com sinceridade, dolendo-se de ter ofendido a Deus.
O que significa contrição?
Contrição é a dor da alma e o repúdio do pecado cometido, com o propósito de não pecar mais. É um coração "quebrantado" que se volta para Deus. Quando nasce do amor a Deus, chama-se contrição perfeita; quando nasce do temor ou da consideração da feiura do pecado, chama-se contrição imperfeita ou atrição. Ambas dispõem ao perdão.
Quer compreender melhor o que a Igreja ensina sobre a Confissão, a contrição e o perdão dos pecados? Consulte o Catecismo no Ora et Labora e aprofunde a sua vida sacramental.

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