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Virtude da justiça: dar a cada um o que é devido

A virtude da justiça é a vontade constante de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. Essa virtude cardeal, os seus tipos e como vivê-la no dia a dia.

João Guilherme FerreiraJoão Guilherme Ferreira5 min de leitura
Balança antiga de metal com dois pratos, numa vitrineFoto: Piret Ilver, Unsplash
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A virtude da justiça é a disposição firme e constante da vontade de dar a Deus e ao próximo aquilo que lhes é devido. Quando perguntamos "o que é justiça" na perspectiva cristã, a resposta clássica é simples e exigente ao mesmo tempo: dar a cada um o que lhe pertence por direito. Não se trata apenas de cumprir leis, mas de uma retidão habitual do coração que orienta toda a nossa relação com Deus, com os outros e com a sociedade.

A justiça é uma das quatro virtudes cardeais, junto da prudência, da fortaleza e da temperança. São chamadas "cardeais" (do latim cardo, dobradiça) porque sobre elas se articula toda a vida moral. A Igreja, seguindo a Sagrada Escritura e a tradição, ensina que essas virtudes são adquiridas pelo esforço humano repetido e elevadas pela graça, pois a graça aperfeiçoa a natureza.

O que é a virtude da justiça

A justiça regula nossas ações em relação ao outro. Enquanto a temperança e a fortaleza ordenam principalmente o nosso interior (os apetites e os medos), a justiça olha para fora: para o próximo e para o bem comum. Por isso ela é, em sentido próprio, a virtude das relações.

Ser justo não é um sentimento passageiro nem um cálculo de conveniência. É uma vontade constante e perpétua de respeitar os direitos de cada pessoa e de promover entre os homens a equidade e a harmonia. Quem possui essa virtude age com retidão de modo habitual, mesmo quando ninguém o observa e mesmo quando seria mais vantajoso agir de outro modo.

A justiça consiste na vontade firme e constante de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

As dimensões da justiça

A tradição católica distingue diferentes aspectos da justiça conforme aquilo a quem ela se dirige:

  • Justiça para com Deus: às vezes chamada de "religião" ou "virtude da religião". É o dever de prestar a Deus o culto, a adoração e o reconhecimento que Ele merece como Criador e Senhor. Ninguém é tão devedor quanto somos diante de Deus, de quem tudo recebemos.
  • Justiça comutativa: regula as trocas entre as pessoas, exigindo igualdade e honestidade nos contratos, no trabalho, no pagamento de salários, na devolução do que é emprestado.
  • Justiça distributiva: regula o que a comunidade deve aos seus membros, repartindo encargos e bens de modo proporcional e equitativo.
  • Justiça legal ou social: orienta o que cada pessoa deve à comunidade e ao bem comum, levando a cumprir os deveres para com a sociedade.

Justiça e caridade caminham juntas

A justiça é necessária, mas não basta sozinha. O cristão é chamado a ir além do estrito direito: a caridade aperfeiçoa a justiça, levando-nos a dar não apenas o que é exigível, mas também aquilo que o amor inspira. Sem caridade, a justiça pode endurecer-se em rigor frio; sem justiça, a caridade corre o risco de se tornar sentimentalismo. As duas se sustentam mutuamente.

Por isso a justiça verdadeira nunca é vingativa nem orgulhosa. Ela reconhece os direitos do outro com humildade, sabendo que também nós somos devedores diante de Deus e do próximo. Esse equilíbrio é fruto de uma vida virtuosa integral, em que todas as virtudes se apoiam umas nas outras. Para entender melhor esse conjunto, vale conhecer o que são as virtudes e como elas se articulam na vida do discípulo.

Como crescer na virtude da justiça

Como toda virtude, a justiça se forma pela repetição de atos bons. Não nascemos justos: tornamo-nos justos praticando a justiça. Algumas atitudes concretas ajudam nesse crescimento:

  • Cumprir os compromissos assumidos: honrar a palavra dada, pagar o que se deve, entregar um trabalho bem-feito.
  • Reconhecer o direito do outro mesmo quando contraria o próprio interesse, evitando favorecimentos indevidos.
  • Reparar o mal causado: restituir, pedir perdão, corrigir uma injustiça cometida.
  • Praticar o agere contra: quando a inclinação puxa para o egoísmo ou para a vantagem injusta, agir deliberadamente em sentido contrário, escolhendo o que é reto.
  • Dar a Deus o primeiro lugar: a oração, a participação na vida da Igreja e a gratidão são atos de justiça para com o Criador.

As virtudes têm como adversários os vícios capitais: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça (acédia). A justiça é especialmente ferida pela avareza, que quer reter o que não é seu, e pela inveja, que se entristece com o bem alheio. Combater esses vícios é parte do caminho de quem deseja tornar-se justo.

Perguntas frequentes

O que é a virtude da justiça?

A virtude da justiça é a vontade firme e constante de dar a Deus e ao próximo aquilo que lhes é devido. É uma disposição habitual da vontade que leva a respeitar os direitos de cada pessoa e a promover a equidade nas relações e no bem comum.

Por que a justiça é uma virtude cardeal?

Porque, junto da prudência, da fortaleza e da temperança, ela é uma das quatro virtudes sobre as quais se articula toda a vida moral. São chamadas "cardeais" porque funcionam como dobradiças que sustentam as demais virtudes humanas.

Qual a diferença entre justiça e caridade?

A justiça dá ao outro o que lhe é estritamente devido por direito. A caridade vai além, movida pelo amor, levando a dar também o que não é exigível. A caridade aperfeiçoa a justiça, e a justiça impede que a caridade se reduza a mero sentimento.

João Guilherme Ferreira

João Guilherme Ferreira

Sócio da Anjo Comunicação, formado em Filosofia e pós-graduando em Liturgia pela Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro. É postulante à oblação no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e atua há seis anos como diretor editorial da Missão Tenda do Senhor. É também idealizador e criador do aplicativo Ora et Labora, além de idealizador e coapresentador do podcast de mesmo nome.

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