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Virtude da temperança: o domínio de si

A virtude da temperança é a virtude cardeal que modera a atração pelos prazeres e garante o domínio de si. O que é e como vivê-la na vida cristã.

João Guilherme FerreiraJoão Guilherme Ferreira5 min de leitura
Mão segurando um copo de água transparenteFoto: engin akyurt, Unsplash
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A virtude da temperança é a virtude cardeal que modera a atração dos prazeres sensíveis e nos dá o domínio de si, ordenando os desejos do coração dentro da justa medida. Quem vive a temperança não despreza os bens criados, mas os usa com equilíbrio, sem se deixar escravizar por eles. É a virtude que ensina a dizer "basta" e a buscar o que é bom para a pessoa inteira, corpo e alma.

O que é a temperança

A temperança é uma das quatro virtudes cardeais, ao lado da prudência, da justiça e da fortaleza. Chamam-se "cardeais" (do latim cardo, dobradiça) porque em torno delas gira toda a vida moral. Enquanto as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) têm Deus como objeto direto e são infundidas pela graça, as virtudes cardeais aperfeiçoam o agir humano e podem ser cultivadas com a ajuda da graça e do exercício constante.

O objeto próprio da temperança são os prazeres ligados aos sentidos, especialmente os do tato e do paladar: a comida, a bebida e a vida afetiva e sexual. Ela não suprime esses desejos, que são bons em si mesmos, mas os mantém ordenados à dignidade da pessoa e ao plano de Deus. A intemperança, ao contrário, deixa a vontade ser arrastada pelo apetite imediato.

"Não vos embriagueis com vinho, que leva à devassidão." A Sagrada Escritura insiste muitas vezes na sobriedade do coração como caminho de liberdade.

Por que a temperança liberta

Pode parecer paradoxal, mas a temperança é uma virtude da liberdade. Quem não domina os próprios apetites acaba dominado por eles: come sem fome, gasta sem necessidade, busca prazer sem amor. A temperança devolve à razão e à vontade o governo da própria vida. Por isso a tradição cristã a associa intimamente ao autodomínio e à serenidade interior.

Para quem deseja aprofundar o conjunto dos hábitos bons que formam o caráter cristão, vale conhecer melhor O que são as virtudes e como elas se articulam entre si na vida da alma.

Temperança e os vícios capitais

A temperança combate de modo especial dois dos vícios capitais: a gula (desordem no comer e no beber) e a luxúria (desordem no uso da sexualidade). Mas, indiretamente, ela ampara toda a vida moral, porque um coração que sabe se moderar resiste melhor à avareza, à ira e às demais paixões. Os vícios capitais (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça, ou acédia) são chamados "capitais" por serem cabeças de onde brotam outros pecados.

Virtudes ligadas à temperança

  • Sobriedade: moderação no uso de bebidas e no apego ao prazer.
  • Castidade: integração ordenada da sexualidade segundo o estado de vida.
  • Mansidão: domínio sobre os impulsos de ira.
  • Humildade: verdade sobre si que modera o desejo desordenado de glória.

Como crescer na virtude da temperança

A temperança não nasce pronta: é fruto de escolhas repetidas que vão formando bons hábitos. Um princípio clássico da espiritualidade é o agere contra: "agir contra" a inclinação desordenada. Quando o apetite puxa para o excesso, a pessoa escolhe deliberadamente o contrário, e assim educa a vontade. Pequenas renúncias diárias, longe de serem mórbidas, são treino de liberdade.

  • Reconheça em quais áreas você costuma exceder-se e nomeie o desejo desordenado.
  • Estabeleça medidas concretas e realistas, sem rigorismo nem leniência.
  • Pratique o jejum e a mortificação moderados, unindo-os à oração.
  • Recorra com frequência aos sacramentos, sobretudo à confissão e à Eucaristia.
  • Peça a graça: lembre-se de que a graça aperfeiçoa a natureza e não a substitui.

É importante guardar o equilíbrio: a temperança é a virtude do meio-termo virtuoso, distante tanto do excesso quanto da insensibilidade. O cristão não busca a frieza, mas a ordem do amor.

Temperança e temperamento

Não se deve confundir temperança (virtude) com temperamento (disposição natural). Cada pessoa, segundo seu temperamento, encontrará facilidades e dificuldades próprias para viver a moderação: o sanguíneo pode ceder com mais facilidade aos prazeres imediatos, o colérico aos arroubos de ira, e assim por diante. Conhecer a própria natureza ajuda a aplicar a temperança com inteligência espiritual.

Perguntas frequentes

O que é a temperança?

A temperança é a virtude cardeal que modera a atração dos prazeres sensíveis, sobretudo da comida, da bebida e da vida afetiva, assegurando o domínio da vontade sobre os apetites e o uso equilibrado dos bens criados.

A temperança é uma virtude cardeal?

Sim. A temperança é uma das quatro virtudes cardeais, junto com a prudência, a justiça e a fortaleza. São chamadas cardeais porque em torno delas se organiza toda a vida moral cristã.

Qual a diferença entre temperança e abstinência total?

A temperança não exige renunciar a todos os prazeres, mas usá-los na justa medida e segundo a reta razão. A abstinência total de algo pode ser, em certos casos, um meio de crescer em temperança, mas a virtude em si consiste no equilíbrio, não na supressão.

João Guilherme Ferreira

João Guilherme Ferreira

Sócio da Anjo Comunicação, formado em Filosofia e pós-graduando em Liturgia pela Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro. É postulante à oblação no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e atua há seis anos como diretor editorial da Missão Tenda do Senhor. É também idealizador e criador do aplicativo Ora et Labora, além de idealizador e coapresentador do podcast de mesmo nome.

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